
24 de mar. de 2008
23 de mar. de 2008
A flor e a náusea
Carlos Drummond de Andrade
[...] Uma flor nasceu na rua
[...]
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é almente uma flor.
[...]
É feia.Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
texto completo
10 de mar. de 2008
Amor amor amor...
"Acho que, no fundo, o que me fez pensar que apontar as deficiências do mundo
seria uma inteligente maneira de tentar mudá-lo foi a imaturidade.
Impressionou-me perceber que a resposta à afetividade e à tentativa de diálogo
comumente se dá com a completa ausência de retorno ou com um meio sorriso de
quem não quer ser incomodado. Indignou-me ver nos olhos do cotidiano que as
pessoas não estão abertas para o que vier, para o devir. E por ser um novato nas
ciências da proposição de idéias, propus a auto crítica, enumerando e cantando
os nossos erros de forma ao mesmo tempo alegre e melancólica. Agora, no entanto,
começo a pensar diferente. Já não quero mais denunciar a impotência nossa de
cada dia em entregar-se-mo-nos irrestritamente às coisas do mundo. A partir de
agora, tudo o que eu venha a propor, desejo que seja antes de tudo um sentimento
de afetuosidade. Acredito que pesarosamente continuarei a mirar dentro dos olhos
da reprovação em diversas ocasiões. Mas neste instante acho que aprendi algo. À
reprovação do amor, a maior resposta será o próprio amor. E de novo e de novo e
de novo. Incondicionalmente."
Descaradamente roubado daqui.
25 de fev. de 2008
A Caverna de Platão
A caverna da alegoria é uma habitação. As pessoas vivem ali cegas do que se passa ao seu redor. Não têm experiência do que vivem e por isso podemos dizer que não habitam. Olham as sombras projetadas no fundo da caverna como se fossem as coisas reais. Para elas tanto faz o que acontece.
Quando Platão desenvolve essa narrativa [República], seu interesse é dizer que as idéias, não as coisas, é que são verdadeiras; que há algo mais verdadeiro além do mundo que a visão alcança. Hoje em dia podemos resumir a idéia de Platão à desatenção que temos pelo mundo que nos cerca.
Contribuição: Helena Tuler
20 de fev. de 2008
big brother
“Desde que se começou a escrever a história, e provavelmente desde o fim do Período Neolítico, tem havido três classes no mundo, Alta, Média e Baixa. Têm-se subdividido de muitas maneiras, receberam inúmeros nomes diferentes, e sua relação quantitativa, assim como sua atitude em relação às outras, variaram segundo as épocas; mas nunca se alterou a estrutura essencial da sociedade. Mesmo depois de enormes comoções e transformações aparentemente irrevogáveis, o mesmo diagrama sempre se restabeleceu, da mesma forma que um giroscópio em movimento sempre volta ao equilíbrio, por mais que seja empurrado deste ou daquele lado.
Os objetivos desses três grupos são inteiramente irreconciliáveis. O objetivo da Alta é ficar onde está. O da Média é trocar de lugar com a Alta. E o objetivo da Baixa, quando tem objetivo – pois é característica constante da Baixa viver tão esmagada pela monotonia do trabalho cotidiano que só intermitentemente tem consciência do que existe fora de sua vida – é abolir todas as distinções e criar uma sociedade onde todos sejam iguais. Assim, por toda a história, trava-se repetidamente uma luta que é a mesma em seus traços gerais. Por longos períodos a Alta parece firme no poder, porém mais cedo ou mais tarde chega um momento em que, ou perde a fé em si própria ou sua capacidade de governar com eficiência, ou ambas. É então derrubada pela Média, que atrai a baixa ao seu lado, fingindo lutar pela liberdade e a justiça. Assim que alcança a sua meta, a Média joga a baixa na sua velha posição servil e transforma-se em Alta. Dentro em breve uma nova classe Média se separa dos outros grupos, de um deles ou de ambos, e a luta recomeça. Das três classes, só a Baixa não consegue nem êxitos temporários na obtenção de seus ideais. Seria exagero dizer que não se registra na história progresso material. Mesmo hoje, neste período de declínio, o ser humano comum é fisicamente melhor do que há alguns séculos. Mas nenhum progresso em riqueza, nenhuma suavização de maneiras, nenhuma reforma ou revolução jamais aproximou um milímetro a igualdade humana. Do ponto de vista da Baixa, nenhuma modificação histórica significou mais do que uma mudança do nome dos amos.”
trecho de 1984, de George Orwell
De lagarta a borboleta
"A primeira coisa que se torna evidente depois de olhar e observar é que sequer conseguimos seguir o sistema, religião ou ideologia que defendemos com tanto ardor. Você tem suas inclinações, tendências e pressões peculiares, que colidem com o sistema que julga seguir portanto, existe uma contradição básica. Você tem assim uma vida dupla, entre a ideologia do sistema e a realidade de sua vida diária, diz ele. No esforço para se ajustar à ideologia (ou religião, ou doutrina), você recalca a si mesmo, seu ser verdadeiro. Sua essência é massacrada por um milhão de vozes: de sua personalidade, da sociedade, de sua própria consciência fragmentada. No entanto, o que é realmente verdadeiro não é a ideologia, mas aquilo que você é."
Trecho de texto publicado na revista Vida Simples.
Na íntegra aqui.
Contribuição: Helena Tuler
19 de fev. de 2008
13 de fev. de 2008
O novo. Ser?
Criar o que não existe ainda deve ser a pretensão de todo sujeito que está vivo.
Paulo Freire
Deixar de sonhar é necessariamente cair na realidade?
Se o sonho ao menos deixasse a timidez, passasse por cima das delicadezas próprias do que não acredita-se valioso e promissor, brandasse contra o que incomoda, desse um "chute no lirismo" e colocasse as manguinhas de fora...
Uma arquitetura bonitinha, pega daqui uma referência, rouba dali uma tendência, essa corrente teórica tá com tudo... Voilá! Temos um ótimo produto!
Linhas que viram um novo punhado de tijolos empilhados (ou aço, madeira, vidro, titânio que seja) não é por si só novidade.
O que você pretende para tocar outros humanos?
11 de fev. de 2008
10 de fev. de 2008
A brasa isolada
"A força do grupo
Um membro de um determinado grupo ao qual prestava serviços regularmente, sem nenhum aviso deixou de participar.
Após algumas semanas, o líder do grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria. O líder encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante de um brilhante fogo.
Supondo a razão para a visita, o homem deu-lhe boas-vindas, conduziu-lhe a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto esperando. O líder se fez confortável mas não disse nada. No silêncio sério, contemplou a dança das chamas em torno da lenha ardente.
Após alguns minutos, o líder examinou as brasas, cuidadosamente apanhou uma brasa ardente e deixou-a de lado. Então voltou a sentar-se e permaneceu silencioso e imóvel. O anfitrião prestou atenção a tudo, fascinado e quieto.
Então diminuiu a chama da solitária brasa, houve um brilho momentâneo e seu fogo apagou de vez. Logo estava frio e morto.
Nenhuma palavra tinha sido dita desde o cumprimento inicial. O líder antes de se preparar para sair, recolheu a brasa fria e inoperante e colocou-a de volta no meio do fogo. Imediatamente começou a incandescer uma vez mais com a luz e o calor dos carvões ardentes em torno dela.
Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse: 'Obrigado tanto por sua visita quanto pelo sermão. Eu estou voltando ao convívio do grupo'."
Autor desconhecido.
Contribuição: Babi
Um membro de um determinado grupo ao qual prestava serviços regularmente, sem nenhum aviso deixou de participar.
Após algumas semanas, o líder do grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria. O líder encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante de um brilhante fogo.
Supondo a razão para a visita, o homem deu-lhe boas-vindas, conduziu-lhe a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto esperando. O líder se fez confortável mas não disse nada. No silêncio sério, contemplou a dança das chamas em torno da lenha ardente.
Após alguns minutos, o líder examinou as brasas, cuidadosamente apanhou uma brasa ardente e deixou-a de lado. Então voltou a sentar-se e permaneceu silencioso e imóvel. O anfitrião prestou atenção a tudo, fascinado e quieto.
Então diminuiu a chama da solitária brasa, houve um brilho momentâneo e seu fogo apagou de vez. Logo estava frio e morto.
Nenhuma palavra tinha sido dita desde o cumprimento inicial. O líder antes de se preparar para sair, recolheu a brasa fria e inoperante e colocou-a de volta no meio do fogo. Imediatamente começou a incandescer uma vez mais com a luz e o calor dos carvões ardentes em torno dela.
Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse: 'Obrigado tanto por sua visita quanto pelo sermão. Eu estou voltando ao convívio do grupo'."
Autor desconhecido.
Contribuição: Babi
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